O Conselho Federal de Medicina realizou em 24 de abril de 2026 o I Fórum de Administração em Saúde, com o tema central "Múltiplas Perspectivas da Segurança em Serviços de Saúde." O evento aconteceu em formato virtual, com transmissão ao vivo pelo YouTube, e reuniu conselheiros federais, especialistas e representantes do sistema de saúde pra discutir desafios jurídicos, éticos e estruturais que impactam a prática médica no Brasil. A coordenação ficou com a conselheira federal Maíra Pereira Dantas, da Câmara Técnica de Administração em Saúde do CFM.
**O que foi discutido**
O fórum teve três mesas redondas com temas que vão muito além do conceito tradicional de "segurança do paciente." A pauta incluiu segurança jurídica do profissional, riscos psicossociais no trabalho, judicialização da medicina e o impacto do julgamento público nas redes sociais.
A primeira mesa tratou de segurança jurídica. Um dos temas foi o papel do Judiciário na proteção dos profissionais de saúde. Outro foi a atuação do Ministério Público em casos envolvendo médicos. E um terceiro, particularmente relevante, foi o "tribunal da mídia": os danos causados pelo julgamento antecipado de médicos em redes sociais e imprensa antes que qualquer investigação formal seja concluída.
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, foi direto na abertura: "É impossível o médico sozinho atender 100, 200 pessoas em um curto período." E sobre pressão política: "É lamentável o que vemos, vereadores querendo fazer pirotecnia na área da saúde. Isso nós não vamos aceitar. O papel do vereador é fiscalizar se há insumos, se o médico não está sobrecarregado, não responsabilizar quem está na ponta."
**NR-01 obrigatória em 2026: gestão de riscos psicossociais**
A segunda mesa trouxe um tema que afeta diretamente quem gerencia consultório ou clínica com equipe: a NR-01 (Norma Regulamentadora nº 01), que passa a ter aplicação obrigatória em 2026 no que diz respeito à gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A palestrante Sandra Paula Peu da Silva explicou que fatores como estresse, burnout e assédio devem ser tratados de forma estruturada pelas instituições, com medidas de prevenção, monitoramento e avaliação contínua.
Pra o consultório particular que tem equipe (secretária, recepcionista, auxiliar), isso é novidade prática. A NR-01 não se aplica apenas a hospitais grandes. Qualquer empregador com CLT precisa documentar como gerencia riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Consultório que tem funcionário sobrecarregado, sem pausas adequadas, com jornada desorganizada, está potencialmente fora da conformidade.
**Resolução CFM 2.444/2025: segurança física do médico**
O conselheiro federal Raphael Câmara abordou a Resolução CFM 2.444/2025, que estabelece medidas pra garantir a integridade física do médico no ambiente de trabalho. As medidas vão desde botão de pânico em situações simples até blindagem de prédios em locais com alta incidência de violência. Em Santa Catarina, segundo levantamento do CFM, 368 médicos foram agredidos em 2024, colocando o estado na 5ª posição entre os mais violentos pra profissionais de saúde.
A presidente do CRM-SC, Andréia Antunes Caldeira, contextualizou: "O paciente acaba descontando no médico e no profissional de saúde uma deficiência que é da administração, que é da gestão e não necessariamente do atendimento que está sendo prestado."
**Direção técnica e protagonismo**
A conselheira Maíra Dantas encerrou com uma conclamação aos diretores técnicos de todo o Brasil: "Não aceitem que interesses mercantilistas ou políticos de terceiros maculem a honra de nossa profissão secular. Defendam nossos princípios e valores com a consciência que estamos fazendo isso pelo bem da sociedade brasileira."
**O que isso significa pra quem gerencia consultório**
Quando o CFM cria um fórum dedicado exclusivamente à segurança em serviços de saúde e pauta judicialização, burnout, NR-01 e violência contra o profissional, está sinalizando onde a fiscalização e o debate regulatório vão se concentrar nos próximos anos.
A pergunta prática é: seu consultório está preparado? Protocolo de atendimento documentado? Consentimento informado assinado antes de cada procedimento (agora exigido pela Lei 15.378/2026)? Gestão de riscos psicossociais da equipe formalizada (NR-01)? Processo de confirmação de consulta registrado? Equipe treinada com funções claras?
Nos consultórios que acompanhamos, vemos dois cenários. O consultório que atende bem mas não documenta nada está exposto sem perceber. O que tem cada etapa registrada e cada processo formalizado está blindado. Com o Estatuto do Paciente em vigor, a NR-01 obrigatória e o CFM pautando segurança em nível nacional, a régua está subindo. E quem se organiza antes, não sofre depois.
O evento completo está disponível no YouTube do CFM.
**Fonte:** Conselho Federal de Medicina (CFM) | Portal Médico | 24/04/2026
